Sunday, 12 December 2010

Cold

Ela fechou a porta atras de si com forca. Meteu a mala ao ombro e desceu os degraus das escadas dois a dois. Aconchegou o cachecol no pescoco quando sentiu o frio da rua. Sentiu as lagrimas a molharem a la do cachecol mas nao quis saber. Continuou a andar, sem destido. Mala ao ombro, maos nos bolsos, com passos firmes e determinados, com as lagrimas a gelarem o rosto molhado. Parou uns segundos. Nao sabia para onde ir. Nao estava no seu territorio. Nao tinha para onde ir, alguem a quem ligar. Recomecou a andar, sempre em frente, nao importava onde, decidiu. Nao via bem o caminho, nem com quem se cruzava. As lagrimas acumulavam-se nos olhos e nao a deixavam ver. Mas tambem nao importava assim tanto, ela nao sabia mesmo para onde ia, nao tinha importancia. Andou durante aquilo que lhe pareceram kilometros, mas que pareciam ter passado nuns segundos. Sentou-se num banco de jardim junto ao passeio. Era tarde, escuro, e aquele nao era um sitio onde se sentaria de dia quanto mais de noite. Sentou-se e chorou. Chorou pelo que disse, pelo que ele lhe tinha dito. Pela dor que tinham causado a ambos. Chorou por ele nao a entender, por ser orgulhoso e demasiado cauteloso. Chorou porque ela sempre fora a mais romantica dos dois, aquela a quem um amor e uma cabana chegavam perfeitamente para ser feliz.  Sentiu passos a aproximarem-se e sentiu medo, por estar sentada ali, naquele banco velho e escuro, numa noite tao frio, sozinha. Levantou-se e continuou a andar sem destino. Ja lhe tinha passado o sentiment de furia, mas agora chorava de impotencia, por sentir que nao interessava o que ela sentia ou o que ele pensava, ele nunca iria mudar nem compreende-la.  Chorou de  cansaco. Chorou pelo bolo que fez para ele e que ele nao comeu. E chorou. Encontrou um café ainda aberto e entrou. Pediu uma sandes e um café, nao porque tinha fome mas porque nao queria ser uma daquelas pessoas solitarias que se senta a olhar os outros nos cafes. Pelo menos tinha comida para onde olhar. Nao era uma solitaria qualquer. Era uma solitaria que tinha uma chavena de café e uma sandes. Olhou o telefone. Ele nao dizia nada. Ele nunca dizia nada. Nao era para lhe chamar a atencao, como ele dissera (gritara?). Tinha de sair porque nao conseguia estar assim, debaixo do mesmo tecto com ele, sem que estivessem juntos, bem. Nao aguentava sabe-lo no quarto ao lado sem cortar uma fatia do bolo que ela tinha feito para ele. Nao queria ficar mais zangada, mais furiosa com ele, e ve-lo ali sentado, sem querer ver o lado dela, fazia com que o sangue dela fervesse. Por isso tinha saido, tinha de apanhar ar e chorar sem que achassem que era para chamar a atencao. Pensar, deixar os pensamentos fluir com o vento frio e as lagrimas geladas que lhe escorriam na cara e molhavam o cachecol. Sera que ele estava a pensar nela? Sera que ele via agora o seu lado? Sera que ele a iria abracar e mante-la nos seus bracos quando ela voltasse? Bebeu mais um golo de café para se aquecer. Ela nem sequer gostava de café. Ela sabia como ia ser. Talvez demorasse mais uns minutos, ou mais uma hora. Mas ela ia levanter-se, pagar a sua conta e voltar para casa. Nao ia caminhar, ia apanhar um autocarro. Era tarde e estava cada vez mais frio. Estaria ele pronto a recebe-la de volta?, pensou enquanto corria para o autocarro.

*Escrito com teclado anglofono

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